Arte Cerâmica

Maria Luiza Lacerda

“Um sonho: uma análise que não busque julgar, mas faça existir uma obra, uma idéia, um livro; que ascenda os fogos, escute os fantasmas, multiplique os signos da existência; que aja por cintilações imaginativas, que provoque ao invés de afirmar ou consolar, que alimente a curiosidade evocando o cuidado que se deve ter com o que existe e com o que poderia existir; um sentido aguçado do real mas que não se imobiliza diante dele e não se deixa aprisionar; uma permanente prontidão em achar estranho e maravilhoso o que está à nossa volta; uma certa teimosia que nos obriga a abrir mão de nossas evidências familiares e olhar espantados para as mesmas coisas; um ardor em aprender o que se passa e o que passa. Finalmente uma compreensão: a de que fabricando um texto como as pegadas de um percurso andarilho, ou objetos a partir de matérias amorfas, é a imaginação que dá forma à experiência humana.”
Li esse texto no livro de Gilberto Paim: “A Ceramica e O Horla”. Foi escrito por Ieda Tucherman na introdução deste maravilhoso trabalho. Expressa bem meu pensamento sobre minha pequena tentativa artística.

Não tenho história na cerâmica, pois iniciei tarde, já com 65 anos; foi um presente que me dei ao iniciar a terceira e ultima etapa de minha vida. Na primeira, casei, tive quatro filhos e trabalhei em Teatro de Bonecos. Na segunda, fui em busca de um conhecimento maior do Ser Humano e tornei-me Terapeuta; nessa etapa também busquei um conhecimento na Natureza através das Essências Florais e da Astrologia. Na terceira, tento aprofundar as duas anteriores, limpando, eliminando , indo em busca do mais simples, do mais autêntico dentro de mim: o que ficou desse percurso. A cerâmica, trabalhando o fogo, a agua, a terra e o ar, surgiu como meio ideal de expressão desse desejo de simplicidade. E as formas que brotam das minhas mãos saídas dessa experiência de vida, são testemunhas de uma imensa gratidão pela liberdade de poder me expressar.

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